Tags

, ,

Image

Temos a mania de fingir que racismo não existe no cotidiano. E só nos sentimos provocados a discutir sobre o tema quando algum jogador de futebol negro recebe uma banana no campo.

Primeiro é preciso esclarecer alguns pontos: racismo é a discriminação por qualquer raça e suas características comuns. Preconceito é o ato de julgar ou classificar qualquer coisa ou pessoa antes de realmente conhecê-la.

A publicidade, produções de entretenimento e indústria de cosméticos estão cheias de exemplo de racismo! E junto está a capacidade de todos nós agirmos com preconceito quando algo nos é apresentado fora do padrão já imposto.

E então, é comum duvidar, ter estranhamento ou se sentir desconfortável quando uma negra protagoniza a novela das 21h da Globo, ou quando a miss universo é a japonesa.

Image

Me deparo com casos de racismo todos os dias. E pelo menos do ponto de vista da mulher negra posso falar com ganho de causa da gravidade deste problema. Eis que pesquisando por lançamento de filmes, me deparo com um anúncio da Rino Up, que promete diminuir a largura do meu nariz! Por quê? Ele não é legal assim?

Aparelho Rino Up para o nariz

Aparelho Rino Up para o nariz

Infelizmente isso é o que chamo de preconceito enraizado. Que nada mais é o do que seguir estereótipos e nem ao menos ter o trabalho de refletir como eles surgiram, ou considerar opções diferentes.

As meninas negras querem alisar o cabelo, se consideram “morenas” e sonham com o cara branco. Essas atitudes seriam naturais se fossem opções conscientes. Ora, a menina negra pode fazer escova e alisar o cabelo, desde quando ela se sinta bem assim. O problema está quando ela considera essa alternativa a única opção para ela. O mesmo exemplo vale para a “escolha do cara”.

Essa coibição à raça se manifesta principalmente nas mídias sociais. As adolescentes tiram foto de perfil, colocam desenhos no avatar, se escondem atrás de uma franja improvisada. Eu não! Estou lá de frente, com perdão do trocadilho, consciente que nunca serei Taylor Swift.

Image

Temos que parar com essa mania ridícula de que o bonito é uma via de mão única. Vou continuar vivendo da forma como sou, queiram as pessoas ou não. Vou fazer poses, careta, brincar nas fotos. Não gostou? Bacana! Não estou pedindo pra ninguém namorar comigo. Não é obrigação minha ter nariz pequeno e cabelo liso, e não é obrigação das pessoas aprovarem isso. Mas é obrigação de todos respeitarem as diferenças. Lição simples, mas difícil.

Em pleno século XXI, negros e negras vão realizando grandes conquistas. Acho que sou a única que não comemoro, me sinto mal por ver que só começamos a ser reconhecidos agora! Aplaudir Octavia Spencerde de pé, pelo Oscar de melhor atriz coadjuvante, é reconhecer a própria estupidez. Halle Berry, primeira atriz negra a receber o Oscar, só em 2002. Sério? Devo comemorar?

Apontar esses fatores atuais é uma forma de mostrar o quanto estamos longe de sermos mais humanos. Fale sério! Largura de nariz se media desde Auschwitz! E aqui está a Rino Up mostrando o quanto “evoluímos”. O tema racismo vai e volta, sem solução. Se discute, se arquiva. Então vamos seguindo em frente, achando natural certas imposições até que alguém atire a próxima banana.

Anúncios