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Essa história é velha, né? Professor e aluna, um fetiche clássico. Posso listar agora milhões de histórias da ficção com o tema. Histórias que povoam o imaginário de todo mundo com a relação erótica e romântica que brota do envolvimento de uma menina perdida com um cara vivido.

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Essas narrativas lotam cinemas, dão audiência a séries adolescentes e já foram a cereja do bolo de muitas novelas. Aqui no mundo real não é diferente. Na faculdade, ali estão os hormônios: à flor da pele. E na sala de aula, sempre há um cara charmoso disposto a ensinar muito mais que metodologia da pesquisa. Então por que fazer de uma história comum um circo de julgamentos e piadas de mau gosto?

Difícil entender que quem prega a liberdade a qualquer custo é a mesma pessoa que chama de vagabunda e puta uma mulher que resolveu se dar ao luxo de uma aventura sexual no meio da noite. Tantos que, por exemplo, compartilham versos de Cazuza como bandeira, dizem que querem ideologia pra viver, que os heróis morreram de overdose. Esses são os mesmos que olham torto para as escolhas alheias e em seguida estranham um velho “te levo pra festa e testo teu sexo com ar de professor”!

Não estou fazendo apologia à pedofilia, nem dizendo que acho correto quando um cara, mais velho, se aproveita da inexperiência de garotas! ISSO NÃO! Eu estou falando de mulher, jovem, maior de idade, que tem o direito de decidir se vai ou não corresponder àquela olhada no decote enquanto tira uma dúvida ou fingir se não entendeu aquela cantada indireta. Pois bem, nesse jogo de decisões, Maria não foi com as outras. Pulou a janela e a cerca, e como punição foi exposta a esse falso moralismo nosso de cada dia. Maria que não foi casta, que não teve nenhum anjo para livrá-la do apedrejamento. Cada taça de vinho tinto suave ingerida, numa noite que não temos nada ver, não paga nenhuma das nossas contas e nem reflete na quantidade de trabalho que temos pra fazer amanhã. Então, vamos dormir?

Vamos dormir pra ver se a gente acorda menos infantil, menos chato, menos fofoqueiro. Vamos pra cama e esperar que uma “ranger prata cabine simples” nos leve pra passear entre nossos erros e acertos também.

Como eu disse, essa é uma história velha, assim como todas essas velhas opiniões a respeito. Sobre isso, lembro Maria, a mesma que não foi com as outras, e que diz na foto de capa do Facebook que prefere ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

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