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Teve um réveillon que meu tio trouxe uma Polaroid pra casa. Na época, eu ainda tinha que esperar alguns dias pra ver fotos que fazia, além disso, tinha que torcer pra que meu filme não queimasse, literalmente!

Imagina minha alegria de poder ter instantaneamente fotos da festa que eu estava? Num mundo de câmeras analógicas isso era empolgante!

Não vou enveredar um discurso de como o Instagram tirou ou não a magia da fotografia, ou se as fotos digitais têm ou não poesia. Porém, acho engraçado como ter a oportunidade de editar ou apagar as fotos recém-feitas nos aprisiona a retratar o momento com perfeição ao invés de vivê-lo.  Com uma Polaroid não tinha isso! Era mirar o momento e fotografar! O papel era caro, você não podia gastar com fotos em frente ao espelho e comida, então sobrava mais para os amigos.

Fotografar também exigia mais confiança, pense bem, às vezes você só tinha um filme instantâneo! Corajoso apostar sua única chance de guardar uma lembrança num clique, caso saísse escuro, borrado ou tremido já era! E mesmo assim, a gente arriscava ser feliz numa só chance.

Depois do filme clarear na sua mão revelando o momento, não tinha como editar com filtros ou disfarces. Que saudade dessas Polaroides sinceras! Em seguida, era só guardar numa caixa de sapato decorada ou num álbum. Pra compartilhar? Só mesmo num almoço de domingo com convidados seletos: “olha aqui, Dona Maria, como Ricardo era gordinho no colegial!”.

Eu não sei o que aconteceu com aquela Polaroid de catorze anos atrás. Talvez eu ainda tenha uma câmera dessas de novo. Por enquanto sigo revelando lembranças em minha mente.

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