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Entre os comentários sobre o sucesso de Tatá Werneck numa das maiores revistas do Brasil, lá está o famoso: “ela não é nenhuma diva da beleza, mas ri de si mesma”.

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Atualmente, existe um falso incentivo pela autenticidade. Há campanha pela real beleza, revistas que produzem editoriais de celebridades sem maquiagem e uma enxurrada de discursos sobre ser você.

Por trás de tudo isso há marcas que se veem ameaçadas com a democracia digital. A comunicação está mais acessível e qualquer pessoa pode produzir um look do dia ou ser referência. Logo, essas marcas dispararam uma corrida para não perder sua atenção e jogaram um papo de que sempre lhe apoiaram do jeito que você é.

Mais ou menos, né? Porque eu mesma só vim experimentar um shampoo que dizia ser para meus cabelos crespos em 1998! Que eu saiba, já havia gente de cabelo crespo antes disso.

Sinceramente, não existe meio termo. Se for pra aceitar e valorizar as pessoas como elas são, a reforma no modo de pensar deverá ser muito maior, e ela está longe de acontecer, não sejamos hipócritas. Não adianta convidar Preta Gil para estrelar uma campanha e depois deformá-la no Photoshop. Assim como não adianta criticar quem fez isso, se quando a própria Preta posou nua, sem retoques, muita gente estranhou e criticou. Também não adianta estampar Tatá numa capa de revista, se a mesma revista alimenta a ideia de que ela não é bonita!

O buraco é muito mais embaixo do que imaginamos. Essa luta contra os padrões só será válida quando cada um aceitar-se de verdade e aceitar ao outro. Aí eu pergunto: você é feliz de biquíni? Não adianta dizer que está satisfeita com o corpo, que transa de luz acesa… Quero saber de verdade, na frente de várias pessoas, o caminho até o mar é tranquilo? E quando alguém passa feliz da vida pela areia com suas “imperfeições”, tudo bem pra você?

Assim como Tatá Werneck, eu sou magra e nem alcanço 1,60 m. E tenho certeza que não sou considerada uma diva da beleza (percebi quando perdi o concurso de Rainha da Primavera na escola =P ). Mas eu não quero rir de mim mesma e nem me esforçar mais do que o normal para ter a simpatia das pessoas. Eu dispenso esse discurso falso que diz que a sociedade me aceita, quando na verdade existe um rótulo esperando para me classificar numa escala de 2,5 abaixo da Paolla Oliveira.

A maior plástica ou dieta deve ser na consciência. Aliás, não! Esqueça a plástica, a dieta ou Photoshop, para mudar a consciência só com exercício mesmo.

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